Quando eu era criança, adorava brincar de heroína. Reunia a vizinhança, amarrava um lençol no pescoço e inventava super poderes.
Brincávamos de He-Man (embora eu achasse seu cabelo cafonérrimo) e Capitão Planeta (sempre que ele dizia “O poder é de vocês”, me sentia uma guardiã da natureza).
O mais engraçado dessa baboseira nostálgica é perceber que todos nós temos um herói de infância.
São personagens fictícios ou reais, que, de algum modo, influenciaram nosso comportamento, nossas atitudes.
A publicidade sabe disso. Por isso, diariamente, marcas e produtos transformam-se em verdadeiros heróis.
É a famosa técnica de “Criação de Inimigos”.
Os anunciantes criam situações inusitadas com vilões (imaginários ou reais), que ameaçam a ordem e a satisfação do consumidor.
O homem, que sente necessidade de seguir um modelo social, percebe na imagem do “produto Herói”, a solução para seus problemas.
J. A. C. Brown já discutia essa questão em seu livro, “Técnicas de Persuasão”. Através de um discurso autoritário, esses estereótipos determinam regras à sociedade e neutralizam a reação do consumidor acerca do produto.
Os anúncios abaixo ilustram bem esse artifício de persuasão:
Inimigo - A caspa
Solução - Compre o shampoo anti-caspa.
Inimigo – Os insetos
Solução - Para combater os insetos, use Baygon.
Redatores, lembrem-se:
Tem sempre um vilão à espera de um mocinho…


