Sarah Santos

Sabão, Infidelidade e Comunicação

Além de redatora, atriz, cantora e ex-BBB, sou uma excelente dona de casa.

Eu a máquina de lavar, por exemplo, temos uma relação quase telepática. Jogo sabão, fecho a tampa, viro o botão e despeço-me da desta agradável geringonça até ouvir “o bipe”, que mais parece um diálogo:

- Queridinha, lavei toda roupa para você não estragar as unhas. Agora é a sua vez de cumprir o árduo trabalho de estendê-las, ok?

Numa dessas aventuras domiciliares, notei que o sabão que me acompanhou por toda a vida foi descaradamente substituído. O multiação mais branquinho do Brasil perdeu seu trono para uma marca nova, mais econômica.

- Mãe, cadê o OMO?

- Estava muito caro! Usa esse aí que é bom também.

A lição dessa história? Quanto maior a competição, menor a fidelidade.

Em tempos onde a qualidade já não é diferencial estratégico, o cliente ficou mais exigente e aberto às novas experiências.

O consumidor não quer ser a mulher fiel. Quer se amante, cortejada, admirada, livre para múltiplos relacionamentos.

Veja bem: esse comentário não é uma crítica às mulheres distintas, nem a marca líder de mercado (eu não seria tão idiota). Aliás, a Unilever sabe como ninguém humanizar marcas.

E se até ela está exposta  à concorrência, acredite quando eu digo: comunicação institucional é tudo.

Se a sua empresa só investe em comunicação mercadológica, ela não fideliza, apenas agrega valores a curto prazo.

Oferecer produtos de qualidade é questão de sobrevivência. Oferecer relacionamento é questão estratégica.

Como anda o seu Share Of Mind? Qual lembrança sua marca desperta nas pessoas?

Uma imagem corporativa positiva – ICP – vende ética, transparência e responsabilidade social. Por isso, invista em uma comunicação mais humana, viva e integrada com a sociedade.

Sua imagem é o seu maior produto. E, neste caso, se sujar não faz bem!

;)

Sonhos Criativos

O objetivo desse blog é revelar grandes ideias da redação publicitária, mas o post de hoje dispensa palavras, literalmente.

Há alguns meses recebi um e-mail muito bacana sobre o trabalho da publicitária finlandesa Adele Enersen, que em sua licença maternidade resolveu fotografar a filhota.

A ideia era projetar os sonhos de sua filha Mila em sua própria cama.

O resultado não poderia ser diferente: cenários incríveis e um ensaio coisa fofa de mamãe…

Para quem quiser acompanhar de perto o trabalho da criativa é só acessar o blog aqui.

Natal é tempo de transformação.

Pode reparar: a vilã de novela fica boazinha, seu chefe te elogia e até carta de cobrança ganha um tom mais “caloroso”.

Você passa o ano inteiro tentando entender por que foi cair justamente nessa família de barraqueiros, cretinos e mal-amados, mas, no fim de ano, faz questão da presença da tia chata e suas meias embaladas para presente.

Como é de costume, no amigo secreto, o seu presente é sempre de grego e, mesmo assim, você está lá, pronto para abrir aquele sorriso amarelo e receber o tão sonhado pijama com estampa de estrelinhas.

Esse é o real sentido do Natal.

O único momento em que emails marketing são realmente bem-vindos. E, mesmo sabendo que seu nome é apenas uma variável no sistema de envio, é bom vê-lo ali, grande, brilhante, único.

Tudo é motivo para reunir, comemorar e torrar toda a grana do décimo terceiro sem remorsos ou peso na consciência.
Época de fazer planos: comprar um carro, colocar silicone, fazer uma viagem inesperada…

E, mesmo que nada disso aconteça, é bom imaginar como a vida é cheia de possibilidades que chamam, convidam, gritam por nós.

Não há mês tão extraordinariamente extraordinário.

Talvez porque acenda velhos sonhos, guardados em um futuro incerto. Talvez porque renove velhas esperanças, esquecidas em algum lugar do tempo.

Um 2011 com mais presença.

Mais uma vez, o Bradesco surpreende e mostra porque sua comunicação é presença na publicidade brasileira.

O filme “Uma vez mais Lado a Lado”, criado pela agência Neogama/BBH para a campanha de fim de ano, promove encontros marcantes.

A ideia é unir pessoas que não se vêem há muito tempo e mostrar a ternura desse momento.

O mais legal é que os encontros são reais, com histórias e pessoas de verdade. Clientes de nove estados do país, entrevistados durante 1 mês.

O filme promove o encontro dessas pessoas com amigos, familiares e namorados em uma plataforma de trem em São Paulo.

Mostrar a emoção do reencontro entre aqueles que partiram e ficaram, personifica o conceito presença e mostra um lado mais humano da marca, em tempos onde tudo é feito a distancia.

“Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo.” ( Mario Quintana )

A AIDS na Publicidade

Ontem foi Dia Mundial da Luta contra a AIDS.

Procurando referências sobre o tema (e chupando ideias alheias) notei que a maioria dos anúncios vinculados a esta data estão diretamente ligados a prática sexual, principal forma de contágio do vírus.

Sabemos que campanhas de conscientização são sempre polêmicas e chocantes. Por isso, não se pode prever a reação do consumidor. Ele pode achá-la criativa ou de imenso mau gosto.

As campanhas abaixo têm forte poder persuasivo, mas não passam uma mensagem de prevenção e educação sexual.

Elas foram feitas para chocar, comover, escandalizar.

Escolhi uma propaganda francesa muito bacana, inteligente e por que não, maliciosa. Ela mostra com muito humor a importância da camisinha na hora da transa.

No mais, já dizia a senadora Marta Suplicy: relaxa e goza!


Pede Lego no Natal!

Para comemorar o Dia das Crianças, o post de hoje é dedicado à fantástica  campanha de Natal criada pela DM9 para a Lego.

O comercial foi veiculado em 1993 pelo engraçadíssimo Luis Fernando Guimarães, que ensinava às crianças como atormentar pedir o brinquedo para seus pais.

A campanha lembra muito a receita de sucesso criada pela Bombril: garoto propaganda carismático + mensagem direta + humor inteligente.

De pecinha em pecinha, os três comerciais seduziram as crianças (público-alvo) e conquistaram os adultos (decisores da compra).

Acho que amanhã mesmo vou utilizar essas preciosas técnicas com meu pai. Quem sabe ele libera um carro…

Os Segredos do Texto Online

Você já ouviu a expressão “escaneamento de informação”?

Esse é um comportamento muito comum entre os internautas, que raramente lêem um texto por inteiro devido ao grande volume de informações divulgadas na rede.

Para não perder tempo, os usuários fazem uma espécie de escaneamento da página e identificam apenas as informações em destaque.

Funciona assim: o internauta acessa a página e lê o título.

A (  )Se o título for interessante existem grandes chances de que ele leia o artigo;

B(  )Se o texto for longo, ele lê apenas o título ou subtítulo e sai da página;

C( ) Se ele gostar muito, acessa os links indicados, avalia a imagem, deixa comentário e transforma o seu texto em um grande viral. Enfim, o consumidor se torna a própria mídia.

Então qual é a melhor forma de estruturar o texto?

Segundo Jakob Nielsen, especialista mundial em usuabilidade, um dos formatos de texto mais utilizados para a web é a Pirâmide Invertida.

Imagine uma pirâmide: na ponta, a informação mais importante, abaixo, os dados menos relevantes e assim sucessivamente. É como se começássemos o texto pela conclusão.

Os espertinhos de plantão irão questionar: mas a gente já entrega o ouro de cara?

Sim. Lembre-se que o internauta gosta de praticidade, velocidade, informação imediata. Quando você procura por alguma informação no Google, consegue chegar até a 6ª página da busca?

Se sim, saiba que você é persistente. A maioria dos internautas só chega até a segunda. Por isso nada de arriscar.

Crie um título objetivo e impactante o suficiente para que seu leitor desça pela pirâmide.

Outra característica fundamental dos textos online é que eles não seguem necessariamente uma ordem, ou seja, você vai ter que rebolar para que cada parágrafo consiga ser autossuficiente.

O redator pode conseguir mais independência utilizando links, parágrafos curtos, listas e intertítulos para estratificar as informações.

Se você gostou do assunto, recomendo o livro Como escrever para a Web, do jornalista colombiano Guillermo Franco. O E-book está disponível aqui.

Boa leitura e até a próxima!

Olha o passarinho!

19 de agosto é dia mundial da Fotografia.

Para homenagear os profissionais que transformam cliques em momentos mágicos, postei três anuncios criados pela brilhante DM9DDB para o banco de imagens Latinstock.

Eu sei que a homenagem é para os fotógrafos, mas os textos dessa campanha dão um verdadeiro show de criatividade.

What???

1ª Regra básica da publicidade: não há regras.

Criatividade não tem passo a passo, texto publicitário também não.

Já li muitas dicas por aí com termos terminantemente proibidos na hora de escrever. Mas será que essas normas se aplicam ao processo criativo?

A utilização de perguntas no enunciado, por exemplo, pode ou não pode?

Para mim, o que não pode é deixar de ousar (e que fique claro, ousadia e bom senso fazem uma ótima combinação).

Muitos autores ainda são relutantes quanto ao uso de questionamentos no texto. Segundo eles, o redator não pode prever todas as possíveis respostas, principalmente aquelas que forem negativas ao produto anunciado.

É verdade. A partir do momento em que damos voz ao público, estamos abertos às críticas. Mas, em tempos em que a Internet transformou a venda em um diálogo aberto entre consumidor e empresa, não cabe a nós nadar contra a corrente.

Observe os anúncios a seguir:

Como seria o mundo sem Rock?

Essa é uma pergunta totalmente aberta. O leitor pode imaginar milhares de respostas.

O Zeca pagodinho poderia dizer:
- Seria maravilhoso!

Esse é um retorno negativo para o anunciante. Por outro lado, quem gosta de pagode não é o público da 91RockFM, certo?

Ah? Entendi… Não devo me preocupar com as interferências do consumidor. Vou ser bonzinho e deixar ele F@#$ com o meu produto!

Errado. O bom redator indica o caminho para a resposta certa. Os anúncios filantrópicos trabalham bem essa abordagem:

Crie perguntas que despertem o interesse e levem à reflexão.

A mensagem tem que passar a ideia de que foi feita especialmente para aquele leitor e fazer com que ele se sinta o dono da resposta.

Alguma pergunta?

O fantástico mundo de Sarah