Sarah Santos

Panela velha é que faz comida boa

Preciso confessar:
Não tenho encontrado grandes ações publicitárias nesses últimos meses.

E quando me refiro a uma grande ação, estou falando daquelas sacadas que despertam curiosidade, risos, ira, espanto e aquele desejo incontrolável de cutucar meu amigo Alexandre (diretor de arte, vigilante do peso e quase figurante da Malhação).

Ando sentindo falta de dizer: – Putz, muito bom!

A publicidade anda meio sem sal e com açúcar em excesso. O anúncio deixou de ser um pudim e virou um melado.

Ou será que eu me tornei insensível com tanta comunicação bonitinha, engraçadinha, quadradinha?

Hoje vou postar uma ação antiga que quase todo mundo conhece, mas serve de inspiração para a tanta mediocridade criativa (talvez seja uma espécie de ressaca da copa).

Os anúncios abaixo são da agência alemã Scholz & Friends para o site de empregos Jobsintown.

“Life’s too short for the wrong job
A vida é muito curta para o trabalho errado

Conceito legal e direção de arte fascinante.
Sinto dores na coluna só de olhar. Será que é a idade chegando?


Geração Y

A primeira vez que ouvi esse termo, imaginei as seguintes situações:

1ª É a continuação do Dragon Ball Z

2ª Trata-se de mais uma saga da tosca novela “Os Mutantes’, infelizmente reprisada na Record.

3ª Deve ser uma nova linha de computadores da Apple.

Como as minhas suposições estavam absurdamente erradas, resolvi fazer uma breve pesquisa e descobri que:
Se você escreve para o público jovem é FUNDAMENTAL, ESSENCIAL, OBRIGATÓRIO E INDISPENSÁVEL que você conheça a Geração Y.

#Cala a boca Galvão e diz logo o que é isso!

A Geração Y é composta por jovens nascidos após 1980, período de intensas transformações no cenário mundial, marcado pelo domínio de tecnologias, como a internet e o celular.

Um novo perfil de indivíduos questionadores, individualistas e futuristas que, devido ao alto fluxo de informações, aprendem rápido e não têm paciência para discursos longos.

Na vida profissional, esse grupo não acredita em carreira de longo prazo e foca seus esforços no sucesso pessoal.  Trabalham bem em equipe, mas não colocam o emprego acima da vida particular.

Ok, redatora tagarela. Mas por que isso é importante para redatores?

Elementar, meu caro Watson, você precisa conhecer seu público-alvo para dialogar com ele.
Para te auxiliar nessa missão, fiz um breve resumo da pesquisa: “Os novos consumidores”, encomendada pelo núcleo Jovem da Editora Abril:

10 Tendências do novo consumidor:

1 – Geração da Seleção
- Não perdem tempo procurando produtos
- Necessitam de referências e fontes confiáveis

2 – Consumo Viral
- O próprio consumidor é a maior mídia
- Valorizam a troca de experiências

3- Consumo da expectativa
- A expectativa da aquisição é mais vivida que a própria posse do produto
- Desejo desenfreado de consumo

4 – Design Nation
- O design dos produtos interfere na decisão do consumidor

5- Comportamento Indie
-Oposição ao padrão
-A contracultura ganha força

6 – O Consumidor é o conteúdo
- Com a internet, as pessoas criam e disseminam o conteúdo

7- Psiconomadismo
- Consumidor menos fiel
- Desejo de experimentação
- Não gostam de ser rotulados

8- Mente Global, alma local
Percebem as tradições do seu país, mas estão constantemente ligados às novidades do mundo

9- Revolução Natural
Valorizam o bem-estar
Têm consciência socioambiental

10- Consumo do Vazio
Pagam por experiências isoladas das exigências do cotidiano, como: espaços digitais, meditação, drogas… Etc.

Agora que você já conhece o perfil do novo consumidor, capricha na criatividade!

Obs.: Não deixe de visitar o site Njovem #FF

Publicidade para os apaixonados

Se você acompanha meu blog, sabe que eu simplesmente adoro anúncios que simulam as relações cotidianas.

Sempre defendo aqui, que o consumidor não compra produtos, mas sonhos.

Se o redator sabe unir a realidade com o senso de humor, melhor ainda. Afinal, segundo Celso Fiqueiredo, “Fazer rir é uma grande maneira de conquistar antecipadamente a aprovação e atenção do consumidor”.

Para comemorar (atrasada) o Dia dos Namorados, escolhi dois anúncios criados pela agência Seres Comunicação para a empresa NewAd.

Existe frase mais tosca que: “Presenteie quem você ama”?

Trabalhar com a emoção, não significa ridicularizá-la, concorda?

A partir de hoje, aposte em textos leves e divertidos e abomine os termos “amor eterno” e “alma gêmea” do seu repertório de ideias para o Dia dos Namorados.

Acredite: amor eterno e alma gêmea assustam. Já pensou encontrar alguém exatamente como você?

Os resultados dessa relação seriam catastróficos…

Sexo + Gramática = Criatividade

Navegando pela internet, encontrei um texto muito bacana e resolvi postá-lo aqui.

Trata-se de uma narrativa feita por uma aluna do curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

O texto é longo, mas vale a leitura. Um verdadeiro orgasmo gramatical:

.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa.

Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”

A publicidade e o universo feminino

Essa semana, li um artigo muito interessante sobre como a mídia influencia o comportamento feminino. Já notaram como a publicidade abusa do apelo estético para se comunicar com as mulheres?

Basta observar os comerciais da TV. São sempre corpos esculturais, rostos angelicais e muita atitude. Uma espécie de mensagem subliminar que diz: “Para ser tão linda quanto ela, use esse produto”.

Eu confesso que quase comprei o Total Shape, aquele aparelho “milagroso” da Polishop. Enquanto você come um Big Tasty, ele fica lá, vibrando na sua cintura, fazendo seu serviço por você.

Esse meu anseio por uma silhueta perfeita é reflexo de como aquela propaganda conseguiu mexer com o meu ego. A modelo magérrima, malhando toda feliz, me fez acreditar que eu também poderia ser como ela.

Essa busca por modelos ideais acontece através do  processo de emulação, que é o desejo do indivíduo de se igualar com estereótipos.

A publicidade utiliza dessa relação de emulação em seu discurso persuasivo para mexer com a emoção feminina.
A mulher contemporânea é cada vez mais fiel à ditadura estética. Para ela, conquistar um espaço na sociedade significa investir em  imagem:

“Quer ser chamada de “pretty woman” por Richard Gere? Use Niely”.

“Que tal conquistar o corpo perfeito? Tome o Diet Shake, da Nutrilatina”.

“Sua pele vai parar no tempo com o novo creme antienvelhecimento do Boticário”.

Refletindo sobre esse tema, lembrei-me do case da Dove. Gosto muito do posicionamento assumido pela empresa para se comunicar com o universo feminino.

O sucesso mundial da campanha Pela Beleza Real mostra um universo que valoriza a beleza da mulher em sua individualidade. O propósito da marca é fazer com que a mulher se sinta bonita como ela é:

A linha de verão  O Sol nasceu para todas aposta na valorização da diversidade que, consequentemente, gera a venda do seu mix de produtos.

“Não é por acaso que a nossa percepção de beleza seja tão distorcida”. Essa é a mensagem final do vídeo criado pela Dove. O filme mostra como a publicidade cria padrões inexistentes de beleza.

Redes semânticas – Enxergue Super

Você sabe o que é uma rede semântica?

Rede semântica é um mapa mental composto por palavras que estão associadas entre si.

Através de uma palavra-chave, o redator publicitário seleciona outros termos e faz diversas associações de ideias.

É a famosa técnica PALAVRA-PUXA-PALAVRA.

Sempre que surgir um job, reúna todas as palavras que, de algum modo, estão ligadas a um tema central. Quanto mais distante a ideia estiver do seu ponto inicial, mais criativa ela será.

Os anúncios abaixo foram feitos pela agência Salve para a campanha “Enxergue Super”, da revista Super interessante.

Observe as peças e as possíveis associações criadas pelo redator publicitário para as palavras: árvore, água e maçã.

Agora que você já sabe como criar sua rede semântica, viaje nas palavras, nos significados e, por que não, na maionese. Enxergue super!

Redação Publicitária -  Superinteressante
Redação Publicitária - Superinteressante
Redação Publicitária - Superinteressante

Anúncio de oportunidade – Loucos por ti, Corinthians

Não foi dessa vez que o Timão conquistou a Libertadores. Mas o anúncio de oportunidade da Nike conquistou de vez nossos loucos corações.

Agência: F/Nazca S&S
Título: Carta à Nação Corinthiana
Redator: Mariana Borga

Anúncio de Oportunidade Nike

Texto, imagem e Rock and Roll

Sacada legal da agência Lua Branca para o dia das mães.

A comunicação foi feita especialmente para o público alvo da rádio Kiss FM, fãs de rock que conhecem bem as referências musicais citadas no anúncio: Mick Jagger, Paul Maccartney e Eddie Van Halen.

Os gênios dessa criação substituíram a tradicional imagem “Mãe e filho” pela imagem de uma rosa e uma guitarra.

O título do anúncio  já diz tudo.

Anúncio Dia das Mães

Anúncio Dia das Mães

Anúncio Dia das Mães

Coisas que toda agência deve saber – Parte II (Diretor de Criação)

Toda agência precisa de um diretor de criação.

Por mais que você acredite que o seu layout vermelho com bolinhas amarelas esteja ótimo, esse profissional poderá ajudá-lo a repensar seus conceitos e encontrar o melhor caminho.

Não estou dizendo que redatores e diretores de arte não consigam fazer um bom trabalho, mas não podemos negar que toda campanha precisa de um gerenciamento criativo.

Por isso,  não veja o diretor de criação como um carrasco que sente prazer em matar suas sacadas.

Se sua ideia for boa, ele saberá exatamente como aplicá-la ao projeto.

Imagine se todas as ideias fossem adiante sem o olhar crítico do diretor de criação.

Imaginou? Agora veja a falta que faz esse profissional…

Coisas que toda agência deve saber – Parte I (Redator)

1- Se sua empresa não tem um redator, terceirize esse serviço. Colocar o marketing ou o RH para fazer textos pode ser um tiro no pé.

2- Quando uma campanha for bem sucedida, não entregue todos os méritos ao diretor de arte. Você vai cultivar o ódio mortal do redator. Em vez de palavras, ele vai divulgar palavrões.

3- Não pergunte ao redator o significado de todas as palavras que você ouvir por aí. Gostamos de português, mas não somos dicionários. Outro dia, me perguntaram o que é cotiledôneo. Oras, vai consultar o Aurélio!

4- Redator não palpita, dá excelentíssimas ideias.

5- Se sua empresa reconhece o valor desse profissional, parabéns. Se não, fique atento aos resultados.

E não diga que eu não avisei…

Mamãe não merecia isso.

Mamãe não merecia isso.

Até as ovelhas entraram na onda digital.

Até as ovelhas entraram na onda digital.

Acho que não vai sobrar grana para o papel.

Acho que não vai sobrar grana para o papel.

Verdura cem agrotóxio = cumida çaldavel

Verdura cem agrotóxio = cumida çaldavel

No teto pode?

No teto pode?

Pelo menos ele respeitou o novo acordo ortográfico. Retirou o trema de linguiça.

Pelo menos ele respeitou o novo acordo ortográfico. Retirou o trema de linguiça.