Sarah Santos

Intertextualidade – Nada se cria, tudo se copia

Não se assuste com o título deste post. Não pretendo fazer aqui nenhuma apologia ao plágio ou a apropriação de ideias alheias.

Quero falar sobre Intertextualidade, um método amplamente explorado na literatura e no campo científico.

A técnica funciona como uma espécie de diálogo entre textos, no qual um texto faz referência a outro. Pense em quantas vezes que você precisou encher seus projetos acadêmicos com citações de outros autores só para alcançar a quantidade de páginas exigidas pelo professor…

Na publicidade, a Intertextualidade ganha caráter criativo. Existem milhares de anúncios que fazem indicações implícitas ou explícitas (sejam eles verbais ou não-verbais) a outros textos.

Podemos dividi-lo basicamente em dois processos distintos: a paráfrase e a paródia.

A paráfrase não faz uma citação direta de outro texto, mas reafirma seu sentindo em outras palavras.
O anúncio da campanha contra AIDS está diretamente associado à capa do filme Beleza Americana. A sensualidade em ambas as imagens formam uma relação intertextual.

Beleza AmericanaCampanha AIDS

O anúncio da margarina Amélia faz alusão à música Ai Que Saudades Da Amélia, composição de Ataulfo Alves.
O produto mantém o sentido do texto original. Ele pretende ser único e insubstituível como a musa da canção.

Alusão

Já a paródia pretende ridicularizar, polemizar ou contestar outros textos, transformando seu sentido original em uma nova interpretação da realidade.
Carlos Moreno e seu rol de imitações representam como ninguém, o sucesso da paródia nas campanhas publicitárias:

Campanha Bombril

A intertextualidade não depende somente da criatividade do redator publicitário, mas do conhecimento que o consumidor tem sobre sua referência.
Se você não soubesse quem é Marta Suplicy ou nunca tivesse assistido Kill Bill, você entenderia os anúncios abaixo?

CitaçãoAlusão

Lição de Hoje: Criar relações com outros textos é uma preciosa técnica publicitária, porém, é importante considerar sempre o conhecimento de mundo e a compreensão do seu público- alvo. Afinal, mas que uma grande sacada, o redator precisa vender seu produto.

Como criar nomes para marcas On-line

Em meio aos inacreditáveis trabalhos da pós-graduação, finalmente consegui terminar a leitura do livro “As 11 consagradas leis de marcas na Internet”, escrito por Al e Laura Ries e emprestado pela minha amiga Fernanda Naves.

A leitura é indicada para aqueles que se interessam pelo mundo do marketing digital. O capítulo “A lei do nome próprio” é particularmente muito interessante para os redatores publicitários de plantão, pois apresenta algumas dicas básicas de como criar nomes para marcas on-line.

Mas qual é a diferença entre criar nomes para as marcas on-line e offline?

Toda.

blog2No mundo físico, por exemplo, você pode chamar uma academia de “Corpo Perfeito”, pois a estrutura física do ambiente, o layout e diversos outros elementos fazem com que o consumidor associe imediatamente o nome ao negócio.

E no espaço virtual? Você faria a mesma associação se encontrasse esse nome isolado na internet?
“Corpo Perfeito” pode ser uma clínica estética, um SPA, uma loja de roupas, uma marca de alimentos ou mesmo uma  “casa de massagem”.

Apostar em nomes genéricos na Internet é investir em uma grande cilada. Lembre-se que o consumidor on-line não vai perder seu precioso tempo tentando descobrir o que a sua marca vende, por isso é fundamental que o nome do seu negócio seja eficaz.

Seja único

Escolha nomes próprios e singulares. Definitivamente, McDonald’s é melhor que Burger King.

www.esquecionomedessa#%@&*.com.br

Não invente nomes longos. Escolha algo fácil de memorizar.

Isso é código Morse?

Escolha nomes simples. Schwab é curto, mas não é simples. Coca-cola é curto e simples. Embora possua 8 letras, a marca utiliza aliterações, repetições de sons idênticos ou semelhantes. Assim, o nome Coca- Cola é formado por apenas 4 letras e a repetição da sílaba CO.

Pegadinha do malandro!

Choque seus consumidores e mexa com suas emoções. Aposto que quando você leu pela primeira vez o termo Yahoo! achou jovem e irreverente.

Tal pai, tal filho

Dê mais vida à sua marca. Faça referencia ao nome do criador do produto. Você já ouviu falar em  Ford Chrysler, Calvin Klein, Gillete, Michael Dell?

Essas são apenas algumas das dicas que podem ajudá-lo na criação de uma marca online. Porém, antes de aplicá-las, conheça os hábitos dos internautas e acima de tudo, ofereça um conteúdo relevante. Afinal, estamos escrevendo para consumidores exigentes, práticos e que sabem exatamente o que procuram.

Anúncio Dia da Mulher – Parte II

Minha homenagem ao Dia da Mulher.

Espero que gostem!

Dia das Mulheres

E para combinar…

Anúncio Dia das Mulheres – Parte I

Olha que legal os anúncios criados pela agência Full Jazz para o Dia Internacional da Mulher.

O redator substitui as pieguices tradicionais da data por um texto bem humorado e criativo.

Finalmente, mensagens que não comparam mulheres com flores, nem retratam sua sofrida história para conquistar um espaço na sociedade.

Dia da Mulher

Dia da Mulher

Dia da Mulher

Dia da Mulher

Sobre a Vírgula

Excelente texto criado para a campanha dos 100 anos da ABI- Associação Brasileira de Imprensa.
O anúncio mostra a importância do jornalismo sério e comprometido com a notícia.  Nesse contexto, a vírgula simboliza a maneira com que os fatos são divulgados. Afinal, uma vírgula faz toda a diferença…

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.virgula
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Minha homenagem ao Dia do Publicitário

Dia do publicitário

Pelos poderes de Greyskull! Eu tenho a força.

Quando eu era criança, adorava brincar de heroína. Reunia a vizinhança, amarrava um lençol no pescoço e inventava super poderes.

Brincávamos de He-Man (embora eu achasse seu cabelo cafonérrimo) e Capitão Planeta (sempre que ele dizia “O poder é de vocês”, me sentia uma guardiã da natureza).

O mais engraçado dessa baboseira nostálgica é perceber que todos nós temos um herói de infância.

São personagens fictícios ou reais, que, de algum modo, influenciaram nosso comportamento, nossas atitudes.

A publicidade sabe disso. Por isso, diariamente,  marcas e produtos transformam-se em verdadeiros heróis.

É a famosa técnica de “Criação de Inimigos”.

Os anunciantes criam situações inusitadas com vilões (imaginários ou reais), que ameaçam a ordem e a satisfação do consumidor.

O homem, que sente necessidade de seguir um modelo social, percebe na imagem do “produto Herói”, a solução para seus problemas.

J. A. C. Brown já discutia essa questão em seu livro, “Técnicas de Persuasão”. Através de um discurso autoritário, esses estereótipos determinam regras à sociedade e neutralizam a reação do consumidor acerca do produto.

Os anúncios abaixo ilustram bem esse artifício de persuasão:

Anúncio 1

Inimigo - A caspa

Solução - Compre o shampoo anti-caspa.

Imagem 2

Inimigo – Os insetos

Solução - Para combater os insetos, use Baygon.

Redatores, lembrem-se:
Tem sempre um vilão à espera de um mocinho…


Ho! Ho! Ho! Feliz Natal

Todo ano é a mesma coisa. Os jobs de Natal aparecem como mágica e os pobres redatores rebolam para criar textos que passem longe do já insuportável: “Feliz Natal e Próspero Ano novo”.

Depois de uma semana cheia de mensagens com desejos de amor, paz e blá, blá, blá, resolvi escrever minha própria mensagem de natal, acompanhada do filme “Luzes“, uma criação da  Almap para o Boticário.


Atende Vó!

Antes de falar sobre o tema deste post, quero responder rapidamente, às várias perguntas que tenho recebido:

Sim.
Estou viva. Não fugi com o circo, não mudei para Barbacena e nem virei uma andarilha.

E não.
O meu blog não foi abandonado e nem virou alvo de hackers enfurecidos.

A minha ausência tem uma explicação simples: falta de tempo.

Tenho andado tão ocupada que não pude comentar aqui, a excelente iniciativa do Governo de Minas Gerais, ao promover a campanha pela inclusão social dos idosos.

A propaganda, de forte apelo emocional, faz uma breve narração da música “Couro de Boi”, uma composição de Diogo Mulero e Teddy Vieira.

A letra da canção tem tamanho poder persuasivo que consegue sensibilizar qualquer casca grossa metido a valentão.

A mensagem não diz ao receptor o que fazer, mas o que sentir.

Aristóteles, em sua “Arte Retórica”, já refletia sobre o poder da persuasão no discurso, através do que ele denominou de modelo Dionisíaco.

Esse modelo de discurso tem como objetivo transmitir emoção por meio de uma mensagem subjetiva, que leva o receptor para dentro de uma história carregada de intenções.

É o que acontece no comercial narrado por Zezé di Camargo. Um conto emocionante, que envolve o telespectador e arrebata seus sentidos.

O narrador não fala diretamente sobre o objetivo da campanha, mas transmite uma sensação (seja de incomodo, remorso ou compaixão),  inevitável. Ao final da propaganda, o telespectador projeta-se nos personagens do conto.

Se você já teve a oportunidade de assistir o comercial, aposto que levou um tapa com luva de pelica. No meu caso, corri para o telefone e liguei imediatamente para minha vó, que, para a minha tristeza, não atendeu a ligação.

Atende Vó!

Comunicação feita para você – Parte II

Eis aqui outro outdoor incrível da campanha Feito para você, criado pela agência África.

Mais uma prova incontestável de duas teorias que eu já havia defendido aqui:

1° A comunicação One To One cria uma identificação entre o público-alvo e a marca.

Imagine a situação: Você, preso no congestionamento de uma das principais avenidas de São Paulo, se depara com a seguinte mensagem:

Outdoor Itaú

Outdoor Itaú

2º O tamanho do texto não define o sucesso de uma campanha.

Geralmente, outdoors são marcados por textos pequenos ou pela inexistência deles. Mas, como eu adoro mostrar a exceção da regra, escolhi um texto longo, que casa perfeitamente com a ideia do anúncio.

O redator publicitário explorou a função metalinguística da mensagem, ou seja, o anúncio fala sobre sua própria estrutura. É o código falando sobre ele mesmo, conforme o trecho abaixo:

“O Itaú foi feito para você, que vive numa cidade como esta onde as pessoas conseguem ler um outdoor com 84 palavras, enquanto estão paradas no trânsito…”

O outdoor foi veiculado em um local estratégico de São Paulo, especificamente, em um ponto de engarrafamento.
Ideia genial. Afinal, o que não vai faltar é tempo para ler o anúncio, não é?